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A charge política enfrenta um desafio mundial

Autor:
Redação

Seção:
Noticiário geral

Publicado em:
14 de Abril de 2026

Tempo de leitura:
4 minutos

Ilustração adaptada por Guto Camargo a partir da capa do relatório Under Pressure

A charge política enfrenta um desafio mundial

Por: Redação

Foi lançado em 2 de março de 2026 o relatório “Under Pressure”: Report on the Situation of Threatened Press Cartoonists Worldwide que analisa a situação dos chargistas e cartunistas da imprensa mundial e a conclusão não foi das melhores. Organizado em conjunto pelas entidades Cartooning for Peace, Cartoonists Rights, Freedom Cartoonists Foundation, FORHUM, Columbia Global Freedom of Expression – Columbia University e Reporters Without Borders, os dados reunidos se referem ao período de 2023/2025. A conclusão do trabalho (o estudo também abrange o espaço digital da internet) é que a ascensão do autoritarismo a nível global está ameaçando o trabalho, a liberdade de imprensa e de crítica dos cartunistas, o que, consequentemente, compromete a própria democracia.

A primeira vista, o que salta aos olhos ao se analisar os dados apresentados no relatório (no destaque reprodução da versão francesa) é que, no período estudado, o país que mais perseguiu o humor político gráfico foi os Estados Unidos da América com sete casos relatados. Nos EUA o grande risco à liberdade de imprensa seria a “interferência externa por parte do poder político” e a autocensura dos próprios veículos contra seus chargistas, o que resultou, inclusive, em demissões. A conclusão da pesquisa e que estes casos refletem a “proliferação de conflitos culturais” acirrados pelo governo Trump. E, acrescentamos por conta própria, indica a decadência da democracia liberal no país.

Outra região do globo bastante problemática para os chargistas é o Oriente Médio onde o expansionismo sionista contra o povo palestino faz vítimas também entre cartunistas e jornalistas, deliberadamente silenciados em uma tentativa de esconder o genocídio em curso. O relatório cita o caso da cartunista e ilustradora digital Mahasen al-Khateeb que morreu em um ataque aéreo israelense em Jabalia em 18 de outubro de 2024.

A Europa também não se sai muito bem na pesquisa. Apesar de não ter registrado nenhum assassinato de cartunista, como ocorreu em 2015 no caso Charlie Hebdo, os últimos anos foram preocupantes e ficaram marcados, segundo o relatório, por ações judiciais privadas e públicas (além de ameaças de violência física) “que visam censurar, intimidar e silenciar críticos, sobrecarregando-os com os custos de uma defesa judicial até que abandonem suas críticas ou oposição”.

Em relação a América Latina as notícias não são das piores. O Brasil, por exemplo, não é sequer citado, o que significa que, na visão dos pesquisadores não tivemos nenhum registro de violência contra cartunistas no exercício profissional. O problema na região, segundo o relatório, é a crise política e econômica que vem fechando os jornais “o principal canal de atuação dos cartunistas políticos” o que obriga os artistas a migrarem para as redes sociais, um espaço que apesar de garantir a visibilidade não se apresenta como sendo uma fonte de renda regular. A pesquisa também aponta a tendência de se criar charges através da inteligência artificial, um problema sério pois este “processo impede qualquer possibilidade de contratar um cartunista”. De qualquer maneira, a fama da América Latina de ter estados autoritários, caudilhos violentos e de desrespeito às leis, desta vez, não se confirma. A julgar pela publicação, na América do Norte a coisa parece mais dramática!

A charge nas redes sociais

Em relação a situação das charges no mundo virtual, o relatório publica também a pesquisa “Cartoonists Online: Global Free Expression Survey”, feita com 306 cartunistas de vários países. O trabalho confirma algumas situações que já são de conhecimento dos artistas:

  • 43% dos desenhistas relataram ter tido pelo menos um trabalho removida de uma plataforma sob a alegação de questões políticas (52%), questões religiosas (19%) e discurso de ódio (16%).
  • 20% dos cartunistas tiveram suspensões temporárias de sua conta, principalmente devido a conteúdo político (39%).
  • 8% tiveram suas contas encerradas permanentemente, novamente, em grande parte devido a conteúdo político.

O relatório completo pode ser acessado pela página do Cartooning for Peace - AQUI