
Autor:
Redação
Seção:
Memória
Publicado em:
6 de Janeiro de 2026
Tempo de leitura:
3 minutos
Nei Lima estava com sérios problemas de saúde mas continuava publicando suas caricaturas nas redes sociais (Foto: arquivo pessoal Diego Novaes)
As caricaturas de Nei Lima continuarão vivas
Por: Redação
Sidney Lima nasceu no Méier, no bairro Caxambi, Rio de Janeiro, no dia 14 de setembro de 1954. Sua trajetória no desenho teve início em 1977, quando estudou no Senac com os professores Serpa Coutinho e Jorge Guidacci. A profissionalização veio nos anos 1980 na Bloch Editores atuando como arte-finalista nas revistas da empresa onde publicou cartuns para a revista Ele & Ela e quadrinhos no gibi Os Trapalhões, nesta época assinava seus desenhos apenas como Lima.
Mestre, mentor, colega, amigo. um cara calmo, atencioso, educado, brincalhão, sempre generoso e disposto a ajudar, assim era Nei Lima, uma das figuras que definiu o cartunista que me tornei (se é que ainda posso me chamar assim). Na minha opinião simplesmente um dos maiores caricaturistas - senão o maior - da história recente do Brasil. Morávamos perto, conversamos recentemente e ele se queixou muito de dores e limitações devido às suas condições de saúde. Eu estava pretendendo visitá-lo durante as férias escolares (é quando eu posso, também sou professor) mas não foi possível.
Diego Novaes
Entre 1987 e 1997 foi professor de desenho de propaganda e serigrafia no Senac, sendo coordenador da área de arte entre 2003 a 2009, lecionou na Faculdade Pestalozzi de Niterói no curso de Artes Visuais nas cadeiras de Desenho de Humor e Desenho Geométrico em Perspectiva.
Ingressou no grupo O Dia em 2010 quando passou a publicar diariamente suas caricaturas nas páginas do jornal e ilustrações para o tabloide popular Meia Hora. Participou de várias exposições de desenhos, fotografias e salões de humor. Em 1982 foi agraciado com Menção Honrosa no 5º Salão Carioca de Humor pela caricatura do seringueiro e ativista Chico Mendes, foi agraciado com uma Menção Honrosa no 16º Salão Internacional de Humor de Caratinga, com uma caricatura do cartunista Adail e 3º lugar com a caricatura do cartunista Gual.

As quatro últimas caricaturas enviadas por Nei Lima para a Revista Pirralha por ocasião do aniversário da morte das personalidades: Bruce Lee (julho), Freud (setembro); Jimi Hendrix (setembro) e John Lennon (dezembro)
Um dos primeiros integrantes do grupo fundador da revista Pirralha, suas caricaturas, além de estarem na internete da revista, também figuram nas duas revistas impressas do grupo: O silêncio sobre Gaza e o grito dos chargistas e Desenha Raul, que saiu da gráfica em dezembro e será lançada oficialmente neste início de ano.
Nos últimos meses se encontrava bastante doente, mas, mesmo assim, sua morte surpreendeu seus colegas que, em uma mobilização pelas redes sociais, reuniram 35 artistas de várias regiões do país e lhe enviaram uma coroa de flores com a inscrição: Homenagem dos cartunistas brasileiros. Viva o grande Nei Lima.
Ediel Ribeiro, jornalista, cartunista e escritor, lembra que Nei Lima foi um exímio contador de histórias e relata uma delas:
Quando eu era Assistente Técnico na sede do Senac, em Copacabana, consegui reunir numa palestra, o Chico Caruso e o Ota. Depois do evento fomos comemorar em um bar (lógico!) ali perto. Já devidamente instalados e entre um papo e outro eu e o Chico fizemos um “duelo” de caricaturas. Eu o desenhei enquanto ele me desenhava. Acabei primeiro! Quando ele olhou o desenho que fiz dele me disse seriamente com aquela voz de locutor: “Tá parecendo o meu irmão, pô!”

A paixão pela fotografia
Nascer do sol, com vista do Aterro do Flamengo, uma das imagens capturada pela lente do Nei Lima. O dom da observação que o fez grande na arte da caricatura também estava presente em suas fotos (foto publicada no Facebook do autor)
Clique na imagem para ampliar
Ediel Ribeiro, jornalista, cartunista e escritor, lembra que Nei Lima foi um exímio contador de histórias e relata uma delas:
