A CHARGE POLÍTICA É PERSEGUIDA E CENSURADA PELO BOLSONARISMO. EM DEFESA DO HUMOR POLÍTICO VOTAMOS LULA PRESIDENTE!

Inteligência Artificial invade as artes gráficas

Autor:
Redação

Seção:
Noticiário geral

Publicado em:
14 de Setembro de 2026

Tempo de leitura:
4 minutos

Charge do jornal Baltimore Sun feita por IA que mostra o prefeito Brandon Scott recebendo apoio dos cidadãos

Inteligência Artificial invade as artes gráficas

Por: Redação

O jornal Baltimore Sun demitiu em 2025 o chargista KAL (Kallaugher), com 30 anos de casa e vencedor do Prêmio Pulitzer, e passou a publicar desenhos de frilas ou comprados de agências, mas agora resolveu o problema e as charges voltaram a ser produzidas internamente, só que como o uso da Inteligência Artificial (IA). Segundo o The Daily Cartoonist o primeiro trabalho com IA teria sido publicado em 14 de agosto. Justificando a iniciativa a empresa explica que o trabalho é feito pela equipe editorial.

A atitude da empresa causou protestos de vários cartunistas; “É irônico que um jornal que claramente não valoriza os cartunistas, no entanto, entenda que os leitores esperam ver cartuns em seu jornal e, assim, escolhe preencher o buraco dessa maneira ridiculamente indigna (…) O que realmente precisamos é cortar o mal pela raiz com esse roubo desenfreado de propriedade intelectual e atingir em cheio os canalhas que lucram com IA treinada sem ética.”, escreve Ted Rall em seu saite, ele é cartunista e foi um dos autores da ação coletiva que obrigou a Anthropic, proprietária do modelo de Claude AI, a pagar US$ 3.000 por cada livro pirateado que utilizou para treinar seu chatbot.


Amorim também foi vítima de apropriação indevida de sua obra. Na imagem da esquerda a charge original de 2013 e sua “releitura” (dir.) não autorizada feita por intermédio da IA.

O desrespeito aos direitos autorais por intermédio da IA está se tornando prática no Brasil. O escritor Simão Pessoa lançou um livro sobre samba cuja capa apresenta uma ilustração do cartunista Lan recriada por IA (reprodução no destaque). Além de não dar os créditos o escritor debochou de outro cartunista que o repreendeu em sua página do facebook respondendo; “Você pede, ela faz por conta própria. No dia que o ChatGPT usar algum desenho teu para ilustrar alguma coisa é por que você chegou lá”. O Salão de Humor de Piracicaba. que não aceita a inscrição de trabalhos feito por IA, se viu obrigado a tomar uma série de medidas para enfrentar o problema como relata a sua presidente em depoimento para a revista Pirralha publicado a seguir.

IA nas artes gráficas – o duelo entre alma e algoritmo

Por:Synnöve Hilkner

O avanço da Inteligência Artificial nas artes gráficas impõe um desafio cada vez mais urgente: preservar a autoria humana em um cenário no qual a geração automatizada de imagens se tornou acessível, rápida e amplamente disseminada.

Para os artistas, esse movimento amplia a preocupação já conhecida da redução de oportunidades de trabalho já que imagens produzidas por IA podem atender a demandas imediatas de ilustração a baixo custo, ainda que nem sempre alcancem a qualidade, a intenção estética ou a assinatura criativa de um ilustrador profissional.

Na 53ª edição, em 2026, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba decidiu enfrentar essa questão de forma direta. Com o tema “IA x IH — O Duelo do Século: Alma versus Algoritmo”, enquanto o regulamento do evento, de forma certeira, proibia a inscrição de trabalhos gerados por IA. O desafio, então, passou a ser outro, o de como impedir que essas imagens chegassem à mostra?

Como está cada vez mais difícil determinar se uma imagem foi criada por um programa de IA, tornou-se necessário incluir um especialista em mídia digital e IA no júri de seleção, para auxiliar na análise técnica dos trabalhos inscritos. Em reunião entre o diretor do evento, Júnior Kadeshi e eu, Synnöve Hilkner, presidente da edição, encontramos a pessoa certa, Adilson Freitas, que aceitou a empreitada e deu uma aula de conhecimento em produção com Inteligência Artificial.

Durante dois dias, os sete jurados selecionaram 385 obras entre 2.445 inscrições, porém, antes mesmo do início da seleção, 38 trabalhos, em sua maioria charges e caricaturas, já haviam sido barrados ou colocados sob suspeita. Com isso, conseguimos resguardar o trabalho de artistas que produzem obras autênticas. Segundo Adilson Freitas, três métodos principais orientaram a verificação:

A identificação de assinaturas ou marcas associadas a programas como ChatGPT ou OpenAI nos arquivos inscritos. Os softwares de IA generativas deixam rastros digitais nas imagens, permitindo identificar padrões não humanos.

A observação de inconsistências visuais, especialmente quando o primeiro plano apresentava boa elaboração, mas o plano secundário revelava falhas.

Se ainda houvesse alguma dúvida, a consulta ao histórico do próprio artista.

Esses procedimentos reforçaram a seriedade da seleção e evidenciou que, diante do avanço da IA, a necessidade de defender a criação humana exige critérios técnicos, rigor editorial e atenção permanente.