Mostra homenageia o quadrinhista José Kimura

Autor:
Redação

Seção:
Exposições

Publicado em:
28 de Setembro de 2025

Tempo de leitura:
3 minutos

Uma das histórias em quadrinhos dos Trapalhões desenhadas por José Kimura que está em exposição em Maringá

Mostra homenageia o quadrinhista José Kimura

Por: Redação

Na cidade de Maringá (PR) está em cartaz a exposição “Kimura – a história dentro e fora dos quadrinhos” na sala de exposições do Teatro Calil Haddad que recompõe a memória e o trabalho do artista maringaense José Satoshi Kimura (foto no destaque). Com curadoria de Bira Dantas, um dos colaboradores da Revista Pirralha, que foi colega de trabalho de Kimura no Estúdio Ely Barbosa na década de 1970 a mostra reúne 14 quadrinhos de Kimura. As imagens, publicados nos gibis Disney e Os Trapalhões, foram restauradas, digitalizados e ampliadas para o tamanho A3. José Satoshi Kimura atuou entre os anos de 1970 e 1990 e iniciou sua carreira em São Paulo quando foi convidado a trabalhar no suplemento Folhinha de S. Paulo, do jornal Folha de S. Paulo. Trabalhou no Estúdio Maurício de Souza, na Divisão de Quadrinhos da Editora Abril e no Estúdio Ely Barbosa onde desenhou o gibi Os Trapalhões (publicado pela Bloch Editores). O estúdio Ely Barbosa criava animações publicitárias para o Baú do Sílvio Santos, D. D. Drim, coleções de discos infantis e peças teatrais com a Turma do Cacá, programas infantis para TV e gibis em quadrinhos para a Turma do Cacá, Festival Hanna Barbera e Os Trapalhões.
Os estúdios brasileiros que tinham licença contratual para produzir quadrinhos estrangeiros eram obrigados a seguir o chamado “Model Sheet”, uma ficha modelo que especificava proporções e detalhes do rosto e corpo das personagens, de frente, perfil e costas, além da proporção entre os personagens da turma. Para conseguir maior produtividade os estúdios brasileiros utilizavam um sistema que segmentava a produção dos desenhos entre vários artistas.
Esse modelo de produção, quase fabril, não permitia que os desenhistas se expressassem livremente, tornando-os uma espécie de operários do ofício de desenhar em quadrinhos.  No entanto, alguns desenhistas, mesmos limitados por estas regras, conseguiam subverter o sistema e imprimir sua marca nos desenhos. Colegas de trabalho e roteiristas que trabalharam com José Kimura o reconheciam como um artista talentoso e arrojado e afirmam reconhecer facilmente seus desenhos, pois ele detinha um “estilo revolucionário” de desenhar quadrinhos.
Bira Dantas, curador da mostra, foi colega de trabalho de Kimura no Estúdio Ely Barbosa e afirma que ele dominava perfeitamente o traço a lápis, a arte-final a nanquim e o letreiramento e preferia, sempre que possível, finalizar todo o processo sozinho.  Uma característica marcante de seu trabalho, no dizer de Dantas é que “Ele sempre colocava uma brincadeira de pano de fundo, um gato miando em cima da mesa, o reboque da parede caído, aparecendo os tijolos, uma minhoca sendo pescada por um rato vestido de Sherlock Holmes, um cego andando com uma bengala à prova de buracos na rua, coisas que lembravam a revista MAD e os desenhos doidos e cheios de detalhes do Sérgio Aragonés. Sinto que todas essas influências apreendidas por Kimura transpiravam em cada quadrinho que ele desenhava e mostravam o quanto ele era erudito em sua formação artística”.
Devido a problemas de saúde mental, Kimura, nascido em 25 de julho de 1952, teve que interromper a carreira e não recebeu o devido reconhecimento. Em novembro de 2024, depois de uma longa luta contra a esquizofrenia e inúmeras internações, ele faleceu em sua casa cercado pela família.

Serviço

Exposição Kimura: a história dentro e fora dos quadrinhos. 

Museu de História e Arte Hélenton Borba Cortes/ Teatro Calil Haddad, Maringá, Paraná
De 19 de setembro a 18 de outubro de 2025, de segunda a sexta das 8h às 21h e aos sábados e domingos das 8 h às 18 h. Entrada franca.

Saiba mais 

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