
Autor:
Redação
Seção:
Memória
Publicado em:
1 de Setembro de 2025
Tempo de leitura:
3 minutos
Encontro no Centro Cultural da Justiça Federal entre Nei Lima (esq.) e Verissimo (dir.); humor gráfico no centro do Rio de Janeiro
O humor que percorreu o país de sul a norte
Por: Redação
Luis Fernando Verissimo, jornalista, cronista, escritor, roteirista de TV e desenhista de quadrinhos (além de torcedor do Internacional e saxofonista) morreu em 30 de agosto de 2025 aos 88 anos por decorrência de uma pneumonia agravada pelo AVC (acidente vascular cerebral) sofrido há quatro anos. Gaúcho de Porto Alegre (RS), Verissimo nasceu em 26 de setembro de 1936 e era filho de Érico Verissimo, um dos maiores escritores do modernismo regional brasileiro, começou como jornalista no Zero Hora de Porto Alegre em meados da década de 1960 para se firmar como cronista nos anos de 1970 com trabalhos publicados na imprensa por todo o Brasil.
Meus heróis estão partindo. Adorava o trabalho do Verissimo, tanto quanto do Millor. Tive a honra de passar uma semana ao seu lado na Bahia em um evento em que foram convidados eu, ele, Paulo e Chico Caruso, Nani e Mário Valle. Tenho profunda admiração por quem ele foi, já bastava ser filho do Érico Verissimo, mas era uma pessoa muito divertida apesar de tímida. O Brasil perde seus textos e um pouco do sorriso. Pouco tempo atrás, assisti a um filme em sua homenagem relembrando a potência que era e precisei ligar para ele agradecendo por eu existir no mesmo tempo que ele. Que lacuna que fica…
André Barroso
Mas, dentre todas suas qualidades a que melhor o define é a condição de “humorista”, característica que marca os seus trabalhos como o Analista de Bagé, o detetive Ed Mort, a velhinha de Taubaté e as tiras As cobras, personagens que desbravaram os meios de comunicação popular por décadas. Apesar de sua folclórica timidez era tratado em salões literários e mostras de humor como um verdadeiro “pop star”, só que gentil e acessível.
É exatamente sua faceta de humorista que os chargistas da Revista Pirralha relembram agora nesta homenagem.
O artista em seus momentos
Texto: Crau da Ilha
Lembro a primeira vez que vi o Luis Fernando Verissimo, ainda nem sabia quem era, foi em O Bicho, na Cinelândia, onde levou suas tirinhas das cobras. Ele disse que desenhava cobras porque achava difícil desenhar mãos... Ele era uma versão nacional do Jules Feiffer em um modo similar ao da Ciça no Pato. Animais falando naquela conjuntura onde humanos não tinham voz. No texto de humor suplantava tudo com seu olhar aguçado sobre o cotidiano. Um gênio, como seu pai! N
ão bastasse isto, sua dinastia tem origem em Cruz Alta, cidade em que minha avó, que fazia versinhos de pé quebrado, contava ter vivido os melhores anos de sua vida. Os ares de Cruz Alta devem fazer bem aos escritores e poetas...
Uma vez, em Piracicaba, creio que em 1994, confraternizávamos todos em uma mesa comprida, ele num extremo, interagindo discreta e monossilabicamente com os comensais vizinhos, Paulo Caruso e outros medalhões. Do extremo oposto, a uns dez ou doze colegas de distância, eu acompanhava, com o rabo do olho, o mestre falando. Acredito que o escritor que não fala vê mais e guarda mais palavras para deitá-las oportunamente em textos já articulados na cachola...
Soube da sua generosidade por uma pessoa avulsa, sentada ao meu lado numa viagem de ônibus. Contou-me que era sua fã e escrevia para ele. Quando disse que iria a Porto Alegre para conhecê-lo, Verissimo a convidou a hospedar-se em sua casa, onde ela ficou por um mês! Essa moça deve ter ouvido sua voz por mais tempo do que qualquer um de nós... Perguntei como ele era em seu refúgio; ela disse que durante todo o período ele sempre lhe foi muito cortês e delicado, de puxar cadeira para ela sentar...
Que todo seu exemplo nos contamine.
Vamos manter Luis Fernando Verissimo vivo nas nossas almas!
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