
Autor:
Redação
Seção:
Noticiário geral
Publicado em:
25 de Junho de 2026
Tempo de leitura:
4 minutos
Montagem sobre desenho do professor Rafael (arte original; Instagram do autor)
Prefeitura demite professor por uma charge
Por: Redação
Rafael Martins da Costa é professor de Geografia do município de Bento Gonçalves/RS (concursado há 9 anos) e também cartunista, acontece que devido à sua segunda atividade acabou sendo demitido da primeira. No início de 2025, o então prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Siqueira, elabora um projeto para precarizar direitos de servidores públicos; licença-prêmio e biênios. Rapidamente a categoria e o Sindicato iniciam as mobilizações contra a proposta e o professor Rafael se integra aos protestos, não apenas fisicamente, mas também com sua arte ao produzir cartuns críticos ao prefeito e à administração. Com a aprovação do projeto a mobilização vai perdendo força até se encerrar. O professor e cartunista Rafael volta ao trabalho mas continua sua manifestação crítica publicando seus cartuns pela internet.
Em 18 de setembro daquele ano dois vereadores bolsonaristas: Volmar Giordani (Republicanos) e Moisés Scussel (MDB) começaram a atacar o cartunista em suas redes, com o cuidado de não revelar seu nome, o acusando de incitação à violência e apologia ao crime. Portais locais de notícias também veicularam os ataques e no mesmo do dia o prefeito da cidade, Diogo Siqueira, por meio do Instagram, anuncia que a prefeitura estava afastando o professor Rafael de maneira cautelar.
As charges da discórdia


“Não tenho nenhuma falta grave na minha escola e era bem quisto entre colegas e alunos. Então, chegou final de agosto e aconteceu o assassinato de Charlie Kirk (*). Manifestei-me sobre isso também nas minhas redes sociais que são privadas e não tem vinculação direta com meu trabalho. Postei duas charges, com uma diferença de dias. Ninguém me perguntou sobre as charges, nem elas causaram alvoroço algum no meu local de trabalho”.
Em sua defesa foi ajuizado um pedido de suspensão da decisão no judiciário de Bento Gonçalves que, no entanto, não foi aceito. O pedido então é levado ao Tribunal de Justiça em Porto Alegre. Enquanto isto, uma ampla mobilização social em solidariedade ao professor e chargista tem início, o que resulta em uma participação na comissão de direitos humanos na assembleia legislativa do RS.
O caso ecoa na internet e uma série de notas de apoio de sindicatos, organizações, grupos políticos e culturais são emitidas por todo o Brasil em sua defesa e Rafael é convocado para fazer um depoimento na prefeitura. “Neste dia expliquei que a charge não tinha nada que ver com meu trabalho na sala de aula e descobri que a secretaria de educação tinha ido até minha escola para tentar encontrar algo contra mim. Tudo que ela encontrou foi uma charge que fiz para os alunos, sobre um assunto geográfico. Na cópia que dei aos alunos, havia um QR Code para meu instagram pois disponibilizo essas charges na internet para que outros professores baixem e usem. Caso eles façam cópias e distribuam, o endereço do meu perfil vai junto. Jamais pedi para que meus alunos entrassem no meu link e, aliás, muito poucos alunos me seguem”.
No final de outubro de 2025 sai a resposta do Tribunal de Porto Alegre ordenando a volta do professor às salas de aula, mas o processo administrativo disciplinar aberto contra ele continua. Foram ouvidos depoimentos de seus colegas, da diretora da escola e da própria secretária de educação como testemunha de acusação. Em maio deste ano sai a conclusão do processo administrativo e Rafael é demitido sob a alegação de manter “comportamento inadequado para um professor”. Ele, no entanto, afirma que em nenhum momento do processo fica claro qual é o “comportamento inadequado”.
“Fui demitido, não por algo que fiz em sala de aula, não por algo que fiz contra alunos e colegas. Fui demitido, acredito, por perseguição política, por meu posicionamento de esquerda e por ser contrário à administração municipal”.
Rafael Martins da Costa
Agora Rafael começa uma nova luta para reverter esta demissão e seus colegas chargistas da Revista Pirralha, de maneira solidária, e se unem em sua defesa que é, ao mesmo tempo, a defesa do direito da liberdade de crítica do humor político.
Serviço
- Abaixo assinado pela reintegração do professor: https://c.org/tbkJ8mpyBW
- Sua participação na Comissão de Direitos Humanos: https://youtu.be/XkpAIYc_xxs
- Instagram do cartunista: https://www.instagram.com/rafael.martinsdacosta/
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(*) Charlie Kirk era um ativista de direita dos EUA e aliado do presidente Donald Trump que morreu ao ser baleado no pescoço durante um evento na Universidade Utah Valley em 10 de setembro de 2025.
“Fui demitido, não por algo que fiz em sala de aula, não por algo que fiz contra alunos e colegas. Fui demitido, acredito, por perseguição política, por meu posicionamento de esquerda e por ser contrário à administração municipal”.