A ilustração não tem mais a arte de Benício

Autor:
Redação

Seção:
Desenhistas

Publicado em:
7 de Dezembro de 2021

Tempo de leitura:
3 minutos

A ilustração não tem mais a arte de Benício

Por: Redação

José Luiz Benício da Fonseca nasceu em 14 de dezembro de 1936 no Rio Grande do Sul (Rio Pardo) e estava prestes a completar 85 anos quando sua família anunciou pelas redes sociais sua morte em 7 de dezembro, no entanto, não esclareceu o motivo. Ainda adolescente começou a trabalhar como desenhista de publicidade em Porto Alegre; mudou-se para o Rio de Janeiro na década de 50 onde atuou em grandes agências como McCann Erickson, Denison, entre outras; desenhou por pouco tempo algumas histórias em quadrinhos e acabou por consolidar sua carreira atuando tanto em publicidade como em artes gráficas - área em que foi reconhecido como um dos maiores ilustradores do Brasil. Além disso, quando jovem chegou a ser pianista na noite gaúcha, profissão que trocou definitivamente pelos pincéis.

A partir dos anos de 1960 produziu para a Editora Monterrey centenas de capas de livros populares de bolso da que eram vendidos em bancas (chamados em inglês de pulp fiction); histórias policiais, espionagem, faroeste, ficção científica, muitos deles escritos por brasileiros com pseudônimos estrangeiros. A coleção mais famosa foi a ZZ7 que apresentava as aventuras de Brigite Montfort, a espiã mais sexy das bancas brasileiras, que foi publicada de 1965 até 1992.

Nos anos 70 Benício foi o mais importante cartazista do cinema nacional. Em plena efervescência de um cinema de cunho popular com pitadas eróticas, herdeiro direto das chanchadas (daí serem conhecidas como pornochanchadas), Benício foi o responsável pela imagem gráfica de sucessos como A super fêmea, com Vera Fischer; Dona Flôr e seus dois maridos, com Sônia Braga e vários filmes da série Os Trapalhões. Calcula-se que tenha ilustrado mais de 300 cartazes. Com o fechamento da Embrafilme pelo governo Collor em 1990 a indústria cinematográfica brasileira entra em crise e Benício passa a se dedicar as ilustrações publicitárias (e eventualmente capas para algumas publicações) em seu estúdio no Rio de Janeiro.

Benício chega ao século XXI admirado por suas ilustrações de caráter realista, imagens de mulheres sensuais e com sua arte celebrada em livros como: The book cover art of Sex & Crime Benício (2011); E Benício criou a mulher (2012); The book cover art of Sex & Crime Benício (2º volume, 2014).

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Foto de abertura de Damiao Santana (ver página do fotógrafo), feita durante a abertura da exposição As Mulheres de Benicio, no Museu Murillo La Greca, Recife- PE em 21/10/2012 (licença Creative Commons)