Nicolielo se despede com a leveza da sua arte

Autor:
Redação

Seção:
Desenhistas

Publicado em:
26 de Junho de 2022

Tempo de leitura:
4 minutos

Nicolielo se despede com a leveza da sua arte

Por: Redação

Antônio Carlos Nicolielo, cartunista, jornalista e artista plástico, formado em Direito (profissão que nunca exerceu) nasceu em Nova Europa, estado de São Paulo, em 11 de fevereiro de 1948 e morreu em 26 de junho de 2022 sendo que a causa da sua morte não foi divulgada pela família. Sua atividade no campo do jornalismo teve início em Bauru onde era um repórter policial que, em dado momento, passa a ilustrar suas reportagens, acaba por se tornar chargista e publica nos jornais Folha do Povo, Jornal da Cidade e Diário de Bauru no final da década de 1960. Em 1970 chega em São Paulo como chargista político dos jornais Diário de São Paulo, Diário da Noite, Shopping News e DCI daí em diante sua carreira deslanchou com passagens pelas Revista Noroeste, Visão, Status, Viaje Bem, pelos jornais Folha de S. Paulo e Folha da Tarde e também em O Pasquim. Como cartunista teve seus trabalhos distribuídos em mais de 150 jornais no mundo todo. Publicou na revista alemã Pardon e em antologias no Canadá, Grécia, Alemanha, Bulgária e Polônia. Em 1985, foi premiado na Europa, junto com Millór Fernandes, como um dos mais importantes cartunistas do mundo.

Era o inicio da era do fax (a gente recebia alguns desenhos por fax do pessoal de fora do Rio) Nicoliello mandou por fax seu desenho para ser publicado no primeiro Humor em Geral e chegou com o traço tremido (o que acontecia normalmente na transmissão por fax) e pedimos para ele mandar de novo. Mandou e continuou chegando tremido, mandou um terceira vez, aí desistimos... pedimos para mandar pelo correio e quando o envelope chegou com o desenho, vimos que era assim mesmo!! O traço do desenho era todo tremido.
Rick Goodwin

Assim como visto em seus quadros que celebram uma vida tranquila, o artista abandona a correria da cidade grande e volta ao interior passando a morar um período em Três Lagoas (Mato Grosso) e depois retorna a sua cidade natal (Nova Europa). destas cidades ele enviava inicialmente suas charges e cartuns por fax e depois pela internet para todos os cantos do planeta. Nicolielo, como ele mesmo relata em suas entrevistas, gostava de mato, rio, pescaria e de viajar pelo Brasil levando sua arte, a qual ele mesmo definiu como sendo de estilo "pueril lúdico" onde muitos enxergam um toque naif.

De um caso qualquer Nicolielo extrai uma charge minuciosa, observando os protagonistas e situando-os no teatro dos absurdos: uma ironia elementar, voltada para a indicação dos contrastes entre o bem e o mal
P. M. Bardi (catálogo da exposição MASP)

Com o estreitamento do espaço para as charges na imprensa o artista passa a se dedicar cada vez mais às artes plásticas criando o projeto de intervenção urbana “L’Arte é Mobile” para levar arte ao interior do país. – trata-se de um pequeno trailer, carregado com cavaletes, telas e materiais de pintura que o artista leva até uma praça escolhida antecipadamente para dialogar e apresentar suas obras à população. Nicolielo já havia realizado no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), entre 5 a 27 de setembro de 1979 uma exposição comemorativa do Ano Internacional da Criança com direito a catálogo assinado por Pietro Maria Bardi,

"O primeiro desenho que eu publiquei na imprensa foi substituindo o Nicolielo em uma coluna que ele dividia com outro amigo, o humorista Souza Freitas, no Diário de Bauru. Início dos anos 70, ele estava em lua de mel."
Vasqs

Pinturas de Nicolielo retratando o universo popular do Brasil

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Foto de abertura; o artista durante o evento “Encontro com Nicolielo: L’Arte é Móbile” realizado em 25 de julho de 2015, na Praça Dr. Gama, Birigui, São Paulo (divulgação Prefeitura Municipal)